Mansplaining e o machismo nosso de cada dia

outubro 10, 2017
Foto: UOL Estilo

Por Daniele Barros

Esta semana conheci uma palavra nova que denomina situações que eu já passei por muitas vezes na minha vida (tenho certeza que muitas de vocês também) o que é muito estranho. Imagine você viver uma mesma situação, claro em contextos diferentes, durantes anos de sua vida e um: Não imaginar a gravidade da situação. Dois: Nem ao menos ter o conhecimento de que isso tem um nome. A bendita palavra é Mansplaining e não se envergonhem se vocês não fizerem a menor ideia  do que isso quer dizer, porque, como citei acima, eu também não sabia. Essa palavra é a confirmação mais perfeita de que o machismo não vive somente nos gestos mais brutos e violentos, mas nas pequenas situações do dia a dia, nos pequenos detalhes  e, infelizmente,  já está tão naturalizado que nós nem percebemos determinados comportamentos.

Mansplaining é a mania que alguns homens tem de interromper as mulheres, seja em reuniões de trabalho, em debates, em uma simples conversa em grupo ou mesmo a dois. Mas, não é uma simples interrupção. Normalmente ela vem acompanhada de uma explicação óbvia de coisas que nós já estamos “carecas” de saber ou do total desmerecimento de nossos argumentos ou explicações.

Vamos exemplificar, imagine só: Você está explicando determinada coisa ou defendendo determinada ideia e tem certeza de que suas colocações estão corretas, mas, acaba sendo interrompida diversas vezes antes mesmo de concluir a frase. Logo depois outra pessoa repete exatamente o que você acabou de falar (ou tentou falar) e ela é aprovada por todos como se a ideia fosse dela (é essa pessoa é um homem). Como você se sentiria tendo sua fala copiada e seus argumentos desmerecidos? Mansplaining é exatamente isso.


Um dos casos mais famosos foi o da cantora Taylor Swift que ao receber o prêmio de melhor vídeo em uma premiação da MTV em 2009 teve o microfone arrancado de suas mãos pelo rapper Kanye West ao tentar fazer seu discurso de agradecimento. O rapper não só impediu a cantora de ter a palavra em um momento especial para ela como impôs sua opinião sobre o trabalho dela desmerecendo sua vitória. Deixaremos aqui o vídeo para quem ainda não viu esse momento desnecessário e constrangedor.


Este tipo de atitude, que em muitas vezes é reproduzido até por homens engajados no movimento feminista, vem de décadas de história onde eles foram ensinados a liderar, enquanto nós mulheres fomos doutrinadas a dedicarmos nossas vidas em prol da casa, dos filhos e deles. Então, quando nós conseguimos finalmente assumir posições e ter discursos que, historicamente, sempre foram predominantemente masculinos, ou passamos a ter voz em casa ou na faculdade,  isso é visto de forma negativa, mesmo que inconscientemente. A fama da mulher de ser o sexo frágil fez com que nossos argumentos fossem tidos como fracos e inconsistentes. Este  homem, que contrapõe seus argumentos de forma não embasada, pode ser seu pai, professor, esposo, namorado, amigo, filho, chefe… Pode ser numa conversa de bar, na aula da faculdade, em uma conversa de família.


O site Vix criou um vídeo com os mais famosos casos de Mansplaining do mundo para conscientizar as mulheres.

Entender como Mansplaining funciona é muito importante para que em um momento de opressão como este possamos reagir a altura e não perder as palavras e ficar sem reação, o que é muito comum.

Por mais difícil que seja, impor suas ideias e falar mais alto é primordial  para vencer essas opressões. Passe a observar as suas relações com os homens que estão a sua volta. Em uma simples conversa com seu marido você pode estar sendo castrada de suas opiniões e nunca percebeu. Começar de casa é o primeiro passo para que você não tome esse tipo de comportamento como normal.

Para quem ficou com dúvidas e quer saber um pouco mais, vale a pena ver o vídeo da blogueira Dani Cruz que aborda o tema de forma bem clara. Conhecimento em busca de um futuro melhor para nós e nossas futuras gerações de mulheres nunca é demais. Confere aí!



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