Marca de acessórios foca em produtos étnicos

setembro 02, 2017

 Conheça o Studio Rio Antigo,  uma marca focada em acessórios feitos com peças artesanais étnicas 

Foto: Studio Rio Antigo/Divulgação

Por Luana Miranda 

Ao falarmos sobre marcas que surgiram através da internet, vemos poucas que possuem o seu foco bem direcionado, principalmente quando são do ramo de acessórios. Porém, um exemplo de marca bem direcionada sobre seus produtos é a “Studio Rio Antigo”, da advogada Liège dos Santos. A ideia que surgiu a  partir da iniciativa de ajudar um amigo nas redes sociais, tornou-se um negócio de venda de acessórios artesanais étnicos, em 2016 e com maior apelo nas redes sociais em 2017. 



O objetivo da página no Facebook, que inicialmente, era de alugar o loft do amigo que ia embora do país, captou um público de cerca de 2000 pessoas: Eu fiquei com uma audiência de 1000, 2000 pessoas sem nada, basicamente para encerrar a página”, conta a dona da marca. Ela viu a oportunidade de fazer um negócio com o público que já tinha, após andar pela Feira do Lavradio, na Lapa, com a sua amiga Sula Costa, que também faz parte do projeto: “ Compramos várias  peças que estão mais ligadas a esse estilo étnico, essas coisas assim mais desconstruída, mais leve, mais próxima do natural (...) No final da tarde, entre conversa vai e o que a gente faz da vida, o que a gente faz com as peças  pensamos:  isso também é a cara do Brasil, também é a cara do Rio de Janeiro. Isso aqui também pode ser o objeto de um negócio. Então vamos pegar esse público que a gente já tem e vamos começar a trabalhar para que vire um negócio. Daí nasceu o Studio Rio Antigo.” 


Em entrevista para o My ModaLiège contou um pouco sobre os projetos que estão inseridos dentro do Studio: 

“O Studio agrega alguns estilos diferentes de trabalho. Tem alguns projetos, algumas peças ali dentro que já são projetos de outros artesãos e que nós abraçamos e colocamos como se fosse no “Market Place”. Outros projetos são desenvolvidos por nós, e nesse ponto a gente tem na equipe um ourives, que é um artesão que, particularmente, faz trabalhos muito delicados, como macramê, tear de contas. ” 


Sobre a mulher no mercado de trabalho, Liège é bem consciente:  

“Tanto a questão do empreendedorismo, quanto a questão do empresariado em geral, sempre foi ligada a atributos, digamos assim, tipicamente masculinos: de força, de uma certa rudeza e de dominação. O que se vê na dinâmica real das coisas é que não existe um tipo de empreendedor né, não existe um perfil de empreendedor. Para ser empreendedor a pessoa precisa ter tais e tais características”. Cada pessoa aprende a ser o seu tipo de empreendedor. As tuas características vão aflorar no processo de se tornar um líder, de se tornar um empreendedor. Eu acho que a maioria das mulheres, ao longo da nossa história de trabalho e de organização, passam o papel da mulher dentro da sociedade que está dentro de um longo período de reorganização, onde a gente busca esse reconhecimento. Isso nos fez ser muito capazes de muitas coisas, a gente tem uma agilidade, uma flexibilidade de pensamento, digamos assim, mais trabalhada porque a própria vida nos levou a isso: duas rotinas, todo tempo a competitividade, o tempo todo tendo que lutar contra as diferenças que já são pré-estabelecidas socialmente. Então eu acho que é quase natural empreender, porque empreender não é só você está à frente de uma empresa. Quando você tá cuidando da sua casa, da sua vida, pensando no teu futuro, a tua vida é uma grande empresa e no final tem que dar certo.” 


Já sobre o empreendedorismo ser um dos caminhos para a questão do empoderamento feminino, ela acredita não ser o único: 

“Acredito que qualquer caminho, qualquer atividade social que a mulher desenvolva com desejo, com vontade e que ela se liberte das amarras desse padrão tão pesado que recai sobre nós é uma forma de empoderamento. Quebrar esse paradigma que nos é imposto a todo momento e que ela consiga exercer essas atividades e dando esses contornos reais de suas vontades, que ela tome pra si o poder : “Eu faço isso e faço do meu jeito porque é assim que eu quero e eu não preciso fazer diferente porque as pessoas acham que uma mulher tem que agir assim ou assado” é um caminho. Qualquer atividade social, em qualquer meio em que a mulher consiga desenvolver a sociedade com essa propriedade de si é um fator de empoderamento. É um fator de empoderamento lecionar, produzir moda, ser uma cientista até mesmo dentro da sua casa, se ela não tá exercendo uma atividade produtiva, mas ela tá cuidando da sua casa livre dessas questões paradigmáticas, livre do modelo pré-concebido que as pessoas impuseram para ela, que entra dentro das nossas casas e diz até como devem ser nossas famílias, como tem que ser a nossa relação entre pais, entre filhos.” 

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