2017: Um ano de redescobrimento e auto aceitação
Escrito por Julia Lins
31 de dezembro... último dia do ano. Todo final de ano é comum fazermos uma retrospectiva de tudo que aconteceu ao longo do ano que passou. Geralmente, eu não ligo pra essas coisas, mas esse ano em especial, eu decidi rever o meu ano. Definitivamente 2017 foi um ano e tanto. Não que eu tenha feito tantas coisas, mas foi um ano marcante, de redescobrimento.
Este ano, mais precisamente há 15 dias atrás, terminei minha faculdade, e agora sou oficialmente uma jornalista! :)
Além disso, concluí meu período de estágio em uma ótima empresa e consegui terminar de pagar meu intercâmbio, que irei realizar em janeiro. (Vancouver aí vou eu!)
Mas de todas essas conquistas eu resolvi destacar uma: a minha auto-aceitação. Vamos deixar claro: eu sempre foi uma menina diferente das outras; nunca deixei homem nenhum me dar ordens, sempre gostei de ser independente, e nunca me prendi a esteriótipos, entre outras "regrinhas" que são impostas pela sociedade. Mas especificamente em 2017 eu consegui me enxergar como eu realmente sou. Consegui enxergar que sou uma mulher negra, jovem, hétero, independente, segura, teimosa, ansiosa, determinada, bem doida e o melhor, muito orgulhosa de si.
Não percebeu a diferença? Todos os dias eu sempre pensava: um dia quero me tornar uma mulher forte, independente, segura de si e etc. Mas o que eu percebi esse ano é que eu não preciso mais desejar ser isso, pois eu JÁ SOU ESSA MULHER.
Na verdade, tudo começou quando eu criei o My Moda. No início, o objetivo maior era criar um conteúdo de qualidade e empoderar as mulheres. Mas eu nunca tinha parado para analisar que eu mesma precisava desse up, sabe?
NUNCA gostei de me olhar no espelho, sempre odiei roupas decotadas, principalmente as que deixam a barriga de fora, já que essa é a parte do meu corpo que eu mais odiava. E por mais que a minha família sempre tenha me achado bonita, eu só conseguia enxergar os "defeitos". Mas o que são esses defeitos? Celulites, estrias, dentes amarelados e meio tortinhos, uma barriguinha saliente? Isso são preceitos que nos são impostos desde a infância.
Desde criança ouço piadas racistas, como "até que você é uma negra bonita" e coisas do tipo. Nem todo mundo tem que ser igual. Por que eu preciso ser magra e branca para ser considerada bonita? Meu namorado me ama do jeitinho que eu sou, sem tirar nem pôr. E é assim que deve ser. Ninguém deve ficar se matando em academia (a não ser que seja pela saúde) ou realizando uma série de procedimentos estéticos só pra alcançar um determinado padrão.
A padronização da beleza é uma triste realidade que nos acompanha há séculos, mas graças as mídias digitais e aos movimentos sociais essa realidade está começando a mudar.
Eu ainda ainda não alcancei o nível de amor próprio que eu gostaria, mas já evoluí muito. Hoje meu guarda roupa é muito mais eclético, e eu me permito usar qualquer tipo de roupa, desde que eu me sinta confortável.
E para celebrar o amor próprio e a auto aceitação, resolvi chamar a Louise, nossa fotógrafa mara, para realizar uma sessão de fotos minha. Nunca tinha feito isso, na verdade, eu tinha vergonha dessas coisas.
O ensaio foi realizado no terraço do Imperator, e utilizamos como cenário um lugar pra lá de inspirador: o Jardim da Sororidade. Criado pela artista Panmela Castro, o mural traz uma mensagem de liberdade e igualdade entre as mulheres.
Além disso o Imperator ainda abriga uma exposição da artista que aborda a identidade feminina e a violência contra a mulher. A exposição fica na Sala de Exposições, no 2° andar, até o dia 25/02/2018, e tem entrada gratuita.
Para quem ainda não foi, vale a pena conhecer!














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