O Miss Universo mais “democrático” após 62 anos

novembro 29, 2017
Foto: Divulgação



Escrito por Daniele Barros

No último domingo (26) aconteceu o tão esperado e já tradicional Miss Universo 2017, evento que elege a mulher mais “bonita” do mundo. Nós como um blog de moda que somos, mas que defende e prega o feminismo, já expomos aqui nossa opinião sobre concursos de beleza e o quanto, eles ainda nos dias de hoje, pregam modelos antigos de estereotipação da mulher. Mas, não seremos hipócritas, não tem como não considerar a relevância e a tradicionalidade do concurso para o mundo da moda, então, vamos lá.

Uma coisa não podemos reclamar: este ano os principais eventos de moda mundiais buscaram trazer representatividade e diversidade étnica bastante consideráveis se comparado aos anos anteriores. A Victória’s Secret Fashion Show deste ano trouxe às passarelas um número recorde de modelos negras e de etnias distintas, um avanço e tanto para nós que clamamos sempre por representatividade. E com o Miss Universo 2017 não foi diferente. No evento, que ocorreu na cidade de Las vegas, nos Estados Unidos, das 82 candidatas, 20 delas eram negras. A Miss Jamaica, Davina Bennet, conquistou o terceiro lugar e a brasileira Monalysa Alcântara, terceira miss brasileira negra e primeira nordestina, ficou entre as 10 semifinalistas.

Bom, aí você pode pensar assim: então basta que o negro ou a pessoa gorda esteja lá no lugar de destaque e pronto. Não. Não é toda representatividade que importa. Mas, quantas foram às vezes que vimos entre as Top 3 do Miss Universo algo diferente de uma mulher padrão Europa de consumo? Acredito que dê para contar em  somente uma das mãos estes ocorridos, isso porque o concurso já possui 65 anos de existência. Claro que nosso sonho é vermos mulheres trans, mulheres plus size ou que ao menos tenha um corpo fora do padrão magro pré estabelecido, mas, não seremos hipócritas, o tradicionalismo por trás de um concurso como este não cairá por terra de uma hora para outra.

“Ah, então vamos ficar felizes com o que nos é oferecido atualmente?” Não, mas seremos “sagazes" o suficiente para continuar lutando por uma representatividade para todas, mas com a inteligência de entender que anos e anos de opressão estão plantados em terrenos fortes. É necessário entender também que, enquanto muitas mulheres ainda buscarem como exemplo o tipo de padrão oferecido pela mídia e não a sua própria auto aceitação, fica complicado vencer certas barreiras da diversidade. A mudança sempre vem de dentro para fora, nós espelhamos na sociedade o que vemos e vivemos internamente.

A nova era de representação da mulher negra veio à partir da aceitação do cabelo natural. Quando muitas negras passaram a admirar sua beleza natural as coisas começaram a mudar de figura. A indústria cosmética se viu na obrigação (e encontrou um enorme mercado) de fabricar produtos para pele e cabelos negros e isso deu às mulheres mais incentivo para continuar e se tornou um ciclo. Dito isto, nós já sabemos o caminho para um Miss Universo cada vez mais “nosso”. Vamos transformar nossa beleza em única e cobrar que, cada vez mais, a mídia, a indústria cosmética e a indústria da moda se adapte a nós e não nós a elas.






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A propósito, a vencedora do concurso foi a miss África do Sul, Demi-Leigh Nel-Peters.

Foto: Divulgação

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