Respeito não é questão de gosto musical
Pabllo Vittar e seu poder de representatividade
Foto: Reprodução/Capricho
Por Daniele Barros
Ela está em todos os lugares e quem diria, até no Rock in Rio marcou presença. Pabllo Vittar está na moda e sabe o que mais? Isso é ótimo! Mas ela não é a primeira drag queen a ter uma representatividade positiva na mídia, o Brasil teve Rogéria né amigos, a mais importante delas, guerreira máxima que surgiu em um momento histórico brasileiro totalmente diferente do atual. Um momento onde discussões sobre igualdade e identidade de gênero estavam muito longe de existir. Portanto, a ela, todo o nosso respeito. Mas, o surgimento de Pabllo Vittar no contexto social em que vivemos também pode ser considerado uma vitória. Diferentemente dos tempos de Rogéria, nunca se falou tanto em empoderamento, representatividade e respeito a liberdade do outro como agora. Mas, como nós sabemos, quanto mais as minorias buscam por sua liberdade e por seu lugar na sociedade, mais surgem grupos opositores que por vários motivos sejam religiosos, políticos ou meramente conservadores desmerecem a luta dessas pessoas.
Quando em meados do ano passado eu soube que Pabllo Vittar seria garota propaganda da Avon (sim, Avon! Empresa tradicional com mais de 100 anos de mercado e com público de todas as idades), minha mente se encheu de esperança, sobretudo nas novas gerações que já crescerão com esta imagem e terão a oportunidade de conviver desde jovens com a sabedoria de que diferenças existem e elas são necessárias. Mas concordo que, para alguns, entender sobre como este “novo universo” (que na verdade sempre existiu) das questões de gênero funciona não é fácil, mas, entendê-lo nos ajuda a olhar para nosso semelhante com um pouco mais de empatia e a desmistificar a sexualidade que, contraditoriamente, com o passar dos anos, voltou a ser um tabu.
Pabllo Vittar na Capa do Caderno Ela do Jornal O Globo.
Vamos lá: Identidade de gênero é a forma como nos reconhecemos dentro dos padrões de gênero criados pela sociedade atual, se nos reconhecemos como homem ou mulher. É importante dizer que gênero independe de questões físicas, independe de genitália. Até porque, o comportamento que um homem deve ter e que uma mulher deve ter foram construídos socialmente e culturalmente com o passar dos anos e não são trazidos com a gente geneticamente.
Resumindo para facilitar: Eu posso ser do sexo masculino, ter a genitália masculina e gostar de ser assim, mas apesar disso, achar mais bacana se vestir e se arrumar como mulher e se identificar mais com o que é socialmente criado para mulheres (como roupas, maquiagem...). Esse é o Pabllo Vittar, homem, gay e uma linda drag queen. Aí você pensa: "Gente, mas eu achei que ela, a Pabllo Vittar, era igual a personagem da novela, a Ivana, não é igual?". Não, não é! A personagem da Ivana é transgênera, ou seja, ela não se vê naquele corpo, as formas femininas lhe incomodam é como se o seu cérebro fosse masculino e não pertencente àquele corpo de mulher, por isso a necessidade de uma transformação, para que seu corpo e sua mente entre em sintonia. Importante: Tudo isso que falamos é sobre gênero, que é diferente de orientação sexual!
Calma, vamos lá novamente: A orientação sexual diz respeito a quem nos relacionamos, amorosamente e sexualmente (se preferimos nos relacionar com homens ou mulheres, se somos gays, lésbicas ou héteros). Um exemplo: Uma menina transgênera não necessariamente é lésbica, ela pode perfeitamente sentir atração somente por pessoas do sexo oposto ao dela.
Essa explicação toda é importante para que possamos desconstruir vários mitos e preconceitos sociais, mas na verdade não deveria ser tão importante assim. Uma coisa simples resumiria tudo: Respeito pelas escolhas do outro. Não gostar da música de Pabllo Vittar tudo bem, nem todos têm o mesmo gosto, e isso é normal. Mas não gostar dela somente por ela ser ela é puro preconceito, afinal, ela é uma assassina, pedófila ou algo do tipo?. É este tipo de intolerância que faz com que o Brasil seja o país onde mais se mata LGBTs no mundo, de acordo com pesquisa divulgada pelo Grupo Gay da Bahia no início deste ano.
Comentário deixado na Fanpage de Pabllo Vittar. Difícil acreditar que se trata apenas de gosto musical.
Antes de achar, “estranho”, ‘’esquisito’’, ou dizer ‘’eu não tenho preconceito mas, isso não é normal’’, se dê uma chance de entender e pense no quanto o ser ou não ser do outro vai afetar a sua vida. Viva e deixe viver.
E se você quer entender um pouco mais sobre o assunto, deixaremos aqui o link de alguns canais bem bacanas de influenciadores da causa LGBT que contam suas experiências, medos, vitórias e tudo mais. Vale a pena dar uma olhada.



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