Cresce a indústria de produtos voltados para mulheres negras
Conheça a DaMata Make Up, a primeira escola de maquiagem voltada para pele negra no Brasil
Por Luana Miranda
Recentemente, a indústria de cosméticos, principalmente a de maquiagem, passou a reparar as necessidades de produtos voltados para a pele da mulher negra. Por diversas vezes elas passaram por dificuldades para encontrar tons de base ou pó que fossem ideais para os seus tons de pele. Um dos motivos para que essa indústria percebesse essa necessidade foi que as mulheres se empoderaram e passaram a impor seus desejos e necessidades. Mulheres como Daniele da Mata fizeram parte dessa mudança no Brasil.
Daniele da Mata é maquiadora profissional e a criadora da primeira escola de maquiagem para pele negra no Brasil, a “DaMata MakeUp”, que fez esse mês 5 anos, onde tem o objetivo não só de ensinar técnicas de maquiagem, mas também de elevar a autoestima de suas alunas e empoderá-las. A ideia surgiu a partir do momento em que Daniele começou a maquiar mulheres negras e passou a perceber as dúvidas que elas tinham: “Eu tinha lá 40 minutos para maquiar a pessoa e às vezes eu ficava com ela 3 horas, porque ela queria entender tudo que tava acontecendo e eu acabava dando uma aula para ela, literalmente”, conta Daniele. Apesar de não trabalhar exclusivamente com mulheres negras, a maquiadora reparou uma grande deficiência nesse mercado e por isso a escola acabou se segmentando: “Existia uma diferença quando eu ia dar aula ou até só maquiar uma pessoa branca diferente de uma negra. Primeiro por referência, por ter uma profissional negra ali com ela e se sentir confortável pra dividir suas dúvidas”.
A DaMata MakeUp foi a primeira escola de maquiagem voltada para pele negra no Brasil e isso significa um marco até nos hábitos de consumo no mercado de maquiagem do país. Segundo Dani, a trajetória da marca acompanhou esse mercado e possuir um negócio desse tipo representa um posicionamento: “Ser empresária hoje que trabalha só com mulheres negras é um posicionamento muito forte. Tanto para a sociedade no geral, quanto pra mim. Eu entendo toda minha carga de responsabilidade e tento fazer da melhor maneira possível. Eu gostaria de inspirar outras mulheres, outras mulheres negras, a acreditar nos seus negócios também. Então, pra mim representa muito ter uma empresa hoje segmentada para pele negra."
O projeto “Negras do Brasil”
O projeto surgiu após Daniele, que tinha uma escola física de maquiagem em São José dos Campos (SP) e partir para outros lugares, a pedido das suas seguidoras. Especialmente, quando passou por Salvador, ela entendeu a situação da mulher negra quando tratava-se de maquiagem, já que até então a DaMata trabalhava com mulheres negras e brancas: “Quando eu cheguei em Salvador eu sentia que era muito importante ter uma empresa de pele negra quando eu vi aquele lugar, aquelas pessoas, aquele clima e todas as dificuldades delas, como era diferente o que elas passavam (...) Quando voltei escrevi o “Negras”, que consiste em palestras ou workshops de auto maquiagem para pele negra e que visa 100% a autoestima da mulher negra”, explica Daniele. O foco principal do projeto é fomentar a questão da indústria brasileira perante as mulheres negras, mostrando que elas também consomem: “Apesar de ter um valor extremamente simbólico, o curso teria que ter um valor pago ali para as pessoas valorizarem e também entenderem que sim, elas consomem tanto para marca quanto para as pessoas negras. As meninas compram cursos, elas compram produtos e elas querem essas coisas”, afirma a idealizadora do projeto.
Sob influência de suas experiências pessoais, Daniele sempre esteve em contato com questões sociais importantes relacionados as mulheres, como violência doméstica e racismo. Ela queria tratar desses assuntos de maneira mais leve e por isso, ela aliou suas crenças a escola: “A DaMata é uma empresa de maquiagem, mas a gente conversa sobre tantas questões, a gente esclarece tantas dúvidas. Veio daí a vontade ter algo que realmente fosse agregar informação na vida das pessoas”. Trabalhar com pessoas sempre foi uma das coisas mais importantes para ela: “Quando você trabalha pessoas é diferente do que só a venda de produtos, lucros e serviços”.
Expectativas para o futuro da DaMata
“A gente já passou por muitas cidades, mas não conseguimos passar em todos estados brasileiros. Então minha meta é terminar o projeto “Negras do Brasil” e junto com ele vem um documentário sobre a trajetória que a gente fez, eu, a minha equipe e as mulheres negras que estão comigo e essa é o nosso maior marco. (...) O mais complicado é depender de apoio das marcas que tem que abraçar a ideia e o conceito e eu sou bem rigorosa em algumas coisas porque eu acho que se marca me trata mal, ela vai tratar mal as minhas alunas. Então eu avalio muito as marcas que entram dentro do projeto para que realmente sejam marcas que causam impacto e seja transformadora de fato. A gente depende dessas coisas, mas eu tenho vontade de ir para outras cidades e também viajar para outros países, que também pedem o curso da DaMata e isso é muito incrível. Nos países de língua portuguesa as meninas pedem muito e a gente tem desenhado isso da melhor maneira para conseguir fazer”, finaliza Daniele.
Foto: Revista Cabelos & Cia
Recentemente, a indústria de cosméticos, principalmente a de maquiagem, passou a reparar as necessidades de produtos voltados para a pele da mulher negra. Por diversas vezes elas passaram por dificuldades para encontrar tons de base ou pó que fossem ideais para os seus tons de pele. Um dos motivos para que essa indústria percebesse essa necessidade foi que as mulheres se empoderaram e passaram a impor seus desejos e necessidades. Mulheres como Daniele da Mata fizeram parte dessa mudança no Brasil.
Daniele da Mata é maquiadora profissional e a criadora da primeira escola de maquiagem para pele negra no Brasil, a “DaMata MakeUp”, que fez esse mês 5 anos, onde tem o objetivo não só de ensinar técnicas de maquiagem, mas também de elevar a autoestima de suas alunas e empoderá-las. A ideia surgiu a partir do momento em que Daniele começou a maquiar mulheres negras e passou a perceber as dúvidas que elas tinham: “Eu tinha lá 40 minutos para maquiar a pessoa e às vezes eu ficava com ela 3 horas, porque ela queria entender tudo que tava acontecendo e eu acabava dando uma aula para ela, literalmente”, conta Daniele. Apesar de não trabalhar exclusivamente com mulheres negras, a maquiadora reparou uma grande deficiência nesse mercado e por isso a escola acabou se segmentando: “Existia uma diferença quando eu ia dar aula ou até só maquiar uma pessoa branca diferente de uma negra. Primeiro por referência, por ter uma profissional negra ali com ela e se sentir confortável pra dividir suas dúvidas”.
Um dos workshops da DaMata Make Up (Foto: Revista Cabelos & Cia)
O projeto “Negras do Brasil”
O projeto surgiu após Daniele, que tinha uma escola física de maquiagem em São José dos Campos (SP) e partir para outros lugares, a pedido das suas seguidoras. Especialmente, quando passou por Salvador, ela entendeu a situação da mulher negra quando tratava-se de maquiagem, já que até então a DaMata trabalhava com mulheres negras e brancas: “Quando eu cheguei em Salvador eu sentia que era muito importante ter uma empresa de pele negra quando eu vi aquele lugar, aquelas pessoas, aquele clima e todas as dificuldades delas, como era diferente o que elas passavam (...) Quando voltei escrevi o “Negras”, que consiste em palestras ou workshops de auto maquiagem para pele negra e que visa 100% a autoestima da mulher negra”, explica Daniele. O foco principal do projeto é fomentar a questão da indústria brasileira perante as mulheres negras, mostrando que elas também consomem: “Apesar de ter um valor extremamente simbólico, o curso teria que ter um valor pago ali para as pessoas valorizarem e também entenderem que sim, elas consomem tanto para marca quanto para as pessoas negras. As meninas compram cursos, elas compram produtos e elas querem essas coisas”, afirma a idealizadora do projeto.
Sob influência de suas experiências pessoais, Daniele sempre esteve em contato com questões sociais importantes relacionados as mulheres, como violência doméstica e racismo. Ela queria tratar desses assuntos de maneira mais leve e por isso, ela aliou suas crenças a escola: “A DaMata é uma empresa de maquiagem, mas a gente conversa sobre tantas questões, a gente esclarece tantas dúvidas. Veio daí a vontade ter algo que realmente fosse agregar informação na vida das pessoas”. Trabalhar com pessoas sempre foi uma das coisas mais importantes para ela: “Quando você trabalha pessoas é diferente do que só a venda de produtos, lucros e serviços”.
Expectativas para o futuro da DaMata
“A gente já passou por muitas cidades, mas não conseguimos passar em todos estados brasileiros. Então minha meta é terminar o projeto “Negras do Brasil” e junto com ele vem um documentário sobre a trajetória que a gente fez, eu, a minha equipe e as mulheres negras que estão comigo e essa é o nosso maior marco. (...) O mais complicado é depender de apoio das marcas que tem que abraçar a ideia e o conceito e eu sou bem rigorosa em algumas coisas porque eu acho que se marca me trata mal, ela vai tratar mal as minhas alunas. Então eu avalio muito as marcas que entram dentro do projeto para que realmente sejam marcas que causam impacto e seja transformadora de fato. A gente depende dessas coisas, mas eu tenho vontade de ir para outras cidades e também viajar para outros países, que também pedem o curso da DaMata e isso é muito incrível. Nos países de língua portuguesa as meninas pedem muito e a gente tem desenhado isso da melhor maneira para conseguir fazer”, finaliza Daniele.




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