Precisamos falar sobre Monalysa Alcântara
Foto: R7 Brasil
Por Daniele Barros
Na noite do dia 19 deste mês conhecemos a mais nova Miss Brasil, Monalysa Alcântara, jovem de 18 anos, negra, Piauiense. Ela se tornou a terceira negra a receber o título em 64 anos de existência do concurso Miss Brasil. As outras vencedoras foram: Deise Nunes em 1984 e Raissa Santana em 2016. Sim minha gente, 32 anos foram necessários para que o feito se repetisse. Ok, vamos lá: Sim, esse é mais um texto sobre a importância da representatividade. Mulher negra, crespa e nordestina em uma posição de destaque incomoda e muito. Basta uma breve pesquisa por posts relacionados ao concurso deste ano para que isso seja comprovado.
Passeando por este maravilhoso mundo da web onde racismo e preconceito são camuflados por um falso discurso de liberdade de expressão e sob a frase "esta é minha opinião", uma postagem em especial me chamou atenção. O site Catraca livre utilizou a seguinte chamada para noticiar o vencimento de Monalysa: "Eleita miss Brasil que realmente representa o país". Esta chamada foi o suficiente para uma enxurrada de "minha opinião" um tanto quanto questionáveis.
Outros que usavam afirmações um tanto quanto absurdas.
O primeiro critério para que uma opinião seja considerada válida ou verdadeira é que ela seja embasada em argumentos reais, que possam ser comprovados por fatos reconhecidos, seja historicamente ou por dados de pesquisa. Ora, moça do comentário acima, durante quantos anos as mulheres brasileiras foram representadas por candidatas brancas sem que essa representação fosse questionada? Como será difícil para uma branca vencer o concurso de agora em diante se isso aconteceu outras 61 vezes sem questionamentos significativos?
O concurso em si já é recheado de regras machistas e moralistas que tiram de muitas mulheres o “sonho” de participar. Dentre as várias regras, no mínimo duas são extremamente segregatórias e retrógradas: O fato de mulheres casadas ou divorciadas e mulheres que são mães não poderem participar de forma alguma do concurso. Ora, muitas coisas mudaram desde 1954 até os dias atuais. O papel da mulher na sociedade já não é mais o mesmo, dessa forma tais regras já se tornaram um tanto quanto obsoletas e absurdas.
Ter como vencedora de um concurso com regras tão "tradicionais" e que há pouco tempo só elegia candidatas padronizadas uma mulher do biótipo de Monalysa não deveria causar em outras mulheres de outras etnias uma "revolta", deveria sim ser sinônimo de novos tempos para todas nós. Uma mulher tirar o mérito de outra mulher só nos afasta mais do objetivo de ter uma sociedade ainda mais igualitária. Esse tipo de atitude faz com que a luta do feminismo negro seja ainda mais árdua e dolorosa, pois, une duas batalhas em uma só: O esforço por uma sociedade mais justa para as mulheres em geral e a igualdade quando em comparação com outros indivíduos do seu próprio gênero em vários aspectos, entre eles, na busca por mais representatividade positiva na mídia. Mas, vemos que a batalha é longa quando nos deparamos com comentários como este:
Parabéns Monalysa Alcântara, a sua vitória e a sua batalha são nossas também.


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